Mãe, fui ali fazer um satélite e já volto! – Texto 2

Na segunda matéria da série – “Mãe, fui ali fazer um satélite e já volto” – eu, Guilherme Roveri,  um dos brasileiros que está tendo a oportunidade de participar desse projeto, vou compartilhar com vocês um pouco do que faremos e aprenderemos nele.

Durante o programa, nós aprenderemos a lidar com problemas em nanosatélites como:

  • Hardware: É a parte física de qualquer componente eletrônico, como por exemplo os circuitos, as placas e processadores.
  • Software: É toda a parte de programação.
  • Ground Systems: São os sistemas compostos por todo pessoal e operações que garantem que todos os centros da NASA lancem com sucesso suas missões.
  • Integração: É fazer com que o Hardware e o Software conversem entre si.
  • Payloads: É tudo que o satélite estará levando para o espaço, pode ser a câmera, o conversor de sinal, entre outras coisas.
  • Sensores: São os termômetros, acelerômetros, sensores de luz, etc, que ficam embarcados no satélite.

Para aprender tudo isso, nossa experiência aqui é composta por duas coisas: aulas e palestras.

No quesito aulas, estamos matriculados em dois cursos da Capitol Technology University. São eles: “Engenharia de CubeSats” e “Tópicos Especiais em Engenharia Aeroespacial”. Nessa matérias são abordados os mais variados assuntos e aspectos relacionados com o planejamento, desenvolvimento e execução de um nanosatélite, como: estudo de caso, trabalho com hardware, aprendizagem e pratica de técnicas de soldagem em circuitos eletrônicos, desenvolvimento de plano de testes, mecânica orbital, consumo de potência em satélites, trabalho com Raspberry-Pi (um microcontrolador) em simulação de hardware usando programação em software de voô, integração e testes de sistemas complexos. Todo esse estudo é o que, de fato, ocorre no planejamento de um satélite em tamanho real, a diferença são basicamente o tamanho e o custo envolvido. Um CubeSat pode ser feito com menos de US$15,000, enquanto um satélite não custa menos de milhões de dólares desde seu desenvolvimento ate lançamento.

Nessa classes, os alunos trabalham em times interdisciplinares, onde cada um tem um diferente background, por serem de diferentes cursos de graduação, e isso faz o projeto ser muito interdisciplinar. Os times são separados de acordo com o que os alunos objetivam como a “missão” para um possível satélite que venham a desenvolver. Alguns exemplo de times, de acordo com áreas de interesse dos alunos para aplicação de CubeSat, são: Análise de reflexo de radiação, monitoramento de catástrofes, análise de mudanças climáticas, estudo da atividade solar, georeferenciamento, entre outros.

nasabrasileiros

Além das duas disciplinas lecionadas por Dr. Sandy Antunes e Dr. Patrick Stakem, ambos ex-trabalhadores na NASA(Astrofísico e Engenheiro de Sistemas, respectivamente) os alunos recebem semanalmente, às sexta-feiras, um palestrante convidado. Esses são trabalhadores ativos da NASA em diferentes ramos. Alguns tópicos apresentados pelos palestrantes convidados são: Radiação e Ambiente Espacial, Core Flight System, FPGA, Missões da NASA, Missão MMS, entre outros que ainda serão apresentados.

Ao final do curso, os estudantes terão que apresentar uma Revisão de Design Preliminar(PDR) e então concluir o projeto com sua Revisão Crítica de Design(CDR). Cada estudante também participará de vários workshops “hands-on” para design de “payload”, modelagem orbital, simulação de crises “go/no-go” em centros de comando, etc.

Uma coisa muito legal que temos no programa, é a oportunidade de fazer visitas monitoradas ao interior de alguns centros de operações da NASA. No último dia 18, fizemos uma visita ao Goddard Space Flight Center, onde tivemos a oportunidade de ver de perto onde ocorrem as simulações de ambiente espacial, como temperaturas extremamente altas e baixas, bem como altos índices de radiação solar. A visita também promoveu a oportunidade de assistir aos engenheiros montando, na “Clean Room”(sala onde o ar passa por mais de 5 mil filtros antes de adentrar ao recinto e apenas permanece 19 segundos antes de ser substituído por inteiro), os espelhos que comporão o próximo telescópio que substituirá Hubble, o James Webb Space Telescope , o qual planeja-se ser lançado em 2018.

Espero que tenha gostado, na próxima semana vamos contar um pouco mais do nosso dia-a-dia aqui na Capitol Technology University e na NASA. =]

Sobre: Guilherme Roveri

Estudante de Bacharelado em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal de São Paulo. Atualmente bolsista do programa Ciência sem Fronteiras, nos Estados Unidos. Ingressará no curso Engenharia de Energia Renováveis ao término do BCT. Sonha ajudar a tornar e ver o mundo a ser um lugar mais limpo e sustentável de se viver.

Comentários

Deixe aqui seu comentário