Pfand, o Sistema que te Paga para Reciclar – Alemanha

Hoje no Brasil, apenas 17% dos municípios possuem coleta seletiva. Plásticos em geral, vidro e alumínio possuem juntos 34% dos tipos mais coletados, atrás somente do papelão. E essa coleta, quando é feita, depende da conscientização dos cidadãos em separar corretamente o lixo reciclável. O Brasil tem crescido muito nos últimos anos quanto à reciclagem, mas o sistema ainda é complexo. Por exemplo, 80% dos municípios realizam a coleta de porta em porta. Agora imagine uma máquina que centralize parte do material reciclável e ainda te devolve dinheiro como “agradecimento“ por você ter colaborado.

Na Alemanha, onde moro há 15 meses, isso é possível. O “Pfandsystem“ (Sistema de Depósito) é conhecido mundialmente pela sua eficiência, aceitação e simplicidade. Quem compra produtos engarrafados, de PET ou de vidro, e latinha de refrigerante paga uma quantia adicional específica para cada material, entre 0,08€ e 0,25€. Ao retornar essas garrafas, você recebe esse dinheiro de volta através de um cupom.

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Símbolo encontrado nas embalagens retornáveis (Fonte: Arquivo Pessoal Pedro Romano)

As máquinas de coleta localizam-se nos supermercados. Um lugar de fácil acesso, que todos frequentam, facilitando assim a devolução e o pagamento. Quando você vai às compras, é só levar a garrafa vazia, colocar na máquina e retirar o seu cupom. Este pode ser abatido do valor total da sua compra ou pode ser pago em dinheiro, tudo no caixa mesmo. Também os engradados são taxados entre 1,50€ – 3,10€ e posteriormente retornáveis. Os supermercados também lucram com o sistema. Eles pagam pela máquina mas recebem 19% a mais por cada garrafa retornada.

No entanto, nem sempre as pessoas podem – ou querem –, fazer a sua parte levando as garrafas até o local estabelecido. Não são raras as vezes aqui em que, quando há um evento de grande porte a céu aberto, acumulam-se nas entradas centenas de garrafas (de cerveja, na maioria dos casos). Até para essas situações, o método impulsionou o surgimento de um fenômeno chamado “Flaschensammler“ (Catador de Garrafas). São pessoas que recolhem os Pfands das ruas e os retornam nos supermercados. Em festivais e campings, pode-se obter até 13.000€ em 30 dias de coleta informal.

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Máquina de Pfand’ encontrada em quase todos os supermercados (Fonte: Arquivo Pessoal Pedro Romano)

Quais são as barreiras que impedem a implementação de um sistema parecido com esse no Brasil? Como muitos não fazem a reciclagem, a abordagem do reconhecimento monetário não incentivaria ainda mais essa atividade? Acredito que essa ideia poderia revolucionar o cenário da reciclagem brasileira. E você, qual outra iniciativa achou interessante no país que morou ou visitou?

Depois de ler essa matéria, você acha que o sistema de Pfund daria certo no Brasil?

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Quais seriam os entraves para implementação do Pfand no Brasil?
Alguém tem alguma ideia de como poderíamos começar a fazer algo do tipo aos poucos?

Pedro Romano, estuda engenharia elétrica na Unicamp e acredita que o Brasil tem potencial pra devolver os 7×1 na Alemanha em sustentabilidade

 

Dados do texto: Cempre, 2014; Uno Leergut-Automat, 2010; N-TV, 2011;

Sobre: Pedro Romano

Sou estudante de Engenharia Elétrica da UNICAMP e intercambista pelo Ciência sem Fronteiras na Technische Universität Darmstadt, Alemanha desde Março/2014. Às vésperas do meu retorno para o Brasil percebi que poderia retribuir a sociedade não só com o conhecimento acadêmico, mas sobretudo com as experiências durante o intercâmbio. Por isso quis me juntar à equipe do My CsF para transformar a vida dos brasileiros.

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