The Clothing Bank e a Coleta de Roupas Usadas – Reino Unido

Quando eu me mudei para a Inglaterra, não demorou muito até eu me deparar com um caixa de metal bem grande do lado da calçada, enquanto andava na rua. Já me aproximava para jogar o lixo que estava na minha mão e por pouco que não joguei! Ainda bem que parei para ler, porque não era uma lixeira. Era um coletor de roupas usadas para a doação, ou “clothing bank“, como é chamado aqui. E a partir desse dia comecei a reparar e ver esses coletores em todo lugar que eu ia: supermercados, estacionamentos, parques, qualquer lugar. Existem vários tipos diferentes, alguns aceitam só roupas, mas outros também sapatos, bolsas, cintos, livros, roupas de cama e banho… enfim, qualquer coisa que não usamos mais.

Fui então pesquisar sobre o assunto e achei muito interessante: os itens são coletados a fim de arrecadar fundos para instituições carentes. Primeiramente eles são limpos e expostos em lojas das próprias instituições para serem vendidos. Há várias dessas lojas aqui no Reino Unido. Eu mesma fui dar uma olhada nelas e não é que tinha muita coisa boa!? Comprei um casaco de inverno em ótimo estado por apenas 6 libras! E ainda por cima estava ajudando uma entidade. Olha só: a pessoa que doou aquele casaco estava ajudando não só a mim, que precisava de um casaco, mas varias pessoas que estavam se beneficiando do dinheiro arrecadado pela organização.

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Coletor de Roupas “Clothing Bank” (Fonte: Arquivo Pessoal Marina Dioto)

Depois, os itens que não foram vendidos são comprados por comerciantes têxteis, que selecionam as peças de acordo com sua qualidade: aquelas em melhor estado são levadas a países em desenvolvimento, onde há maior procura por roupas de segunda mão. Neste caso, estamos ajudando uma família que realmente não tem condições de comprar roupas novas. O Reino Unido é o segundo maior exportador de roupas usadas, atrás apenas dos Estados Unidos. E seus maiores importadores são a Polônia, Gana e o Paquistão.

Por fim, as roupas que sobraram são compradas por indústrias que realizam a reciclagem do tecido. Neste caso, a ideia é a mesma da reciclagem de plástico, papel, vidro e latinha, que já estamos mais acostumados.

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Lojas das Instituições que arrecadam fundos (Fonte: Arquivo Pessoal Marina Dioto)

No mundo consumista de hoje, cada vez mais as pessoas compram coisas novas e vão acumulando o que não usam em casa. De vez em quando fazemos uma limpeza no armário e quase sempre o destino é o lixo, por falta de opção. Principalmente no Brasil, onde o incentivo para esse tipo de doação não existe, ou é muito pequeno. Mas isso gera um ciclo nem um pouco sustentável: produzimos cada vez mais, degradando a natureza e acumulando cada vez mais lixo. O reuso e reciclagem de roupas pode ser uma solução para esse problema. No Reino Unido quase metade das roupas descartadas acabam em uma nova casa. Será que esse não poderia ser o futuro do Brasil? Há quanto tempo você não faz uma limpa no seu armário? E quando faz, qual o verdadeiro destino destas roupas?

 

Marina Dioto, estudante de Engenharia Elétrica da
Unicamp e na Universidade de Southampton-UK

Sobre: Pedro Romano

Sou estudante de Engenharia Elétrica da UNICAMP e intercambista pelo Ciência sem Fronteiras na Technische Universität Darmstadt, Alemanha desde Março/2014. Às vésperas do meu retorno para o Brasil percebi que poderia retribuir a sociedade não só com o conhecimento acadêmico, mas sobretudo com as experiências durante o intercâmbio. Por isso quis me juntar à equipe do My CsF para transformar a vida dos brasileiros.

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