Já imaginou trabalhar com transferência de energia sem fio no MIT? O Matheus Tomoto já =]

Falaaaaaaaaa galera!
Para a nossa alegria, é hora de voltar com tudo com histórias de bolsistas do programa.
A entrevista de hoje foi feita com o CsFer Matheus Tomoto. Ele é aluno do curso de Engenharia Mecatrônica, na Facens (Faculdade de Engenharia de Sorocaba). Durante o programa, ele teve a oportunidade de estudar na Purdue University.
Quer saber o motivo da nossa conversa com ele? Durante o verão, o Matheus fez uma pesquisa no MIT, sobre transferência de energia sem fio. Isso mesmo, olhe pro seu computador, ou até mesmo pro seu celular que está longe, na tomada carregando. O Matheus trabalhou numa pesquisa desenvolvendo um produto capaz de acabar com a necessidade de um fio para carregar seja lá o que for.
Então, vamos lá para mais um bate-papo:

Na sua opinião, quem é o Matheus? Como você se define?
O Matheus é um jovem comum, que veio de uma família simples e que se esforçou muito para conquistar o que tem. Ele é um sonhador, que passou por inúmeras dificuldades, mas aprendeu que todo sonho pode se tornar realidade se você tiver FOCO, PERSEVERANÇA e muita ATITUDE.

Você estudou na Purdue University, nos EUA, não é? Teve alguma experiência que você acha legal compartilhar com o pessoal?
Olha, eu tive sim. Como eu estava no quinto ano no Brasil, eu consegui fazer aulas de mestrado aqui nos EUA e uma das aulas foi nanotecnologia aplicada. O professor era indiano e dominava muito o assunto. Ele contava histórias de seus colegas de faculdade que ficaram milionários porque descobriram tecnologias revolucionárias, e por aí vai… As aulas dele eram realmente muito boas! Ao final do semestre, todos tiveram que desenvolver alguma coisa em nanotecnologia, ou no mínimo explicar algum conceito da matéria. Meu projeto foi o “Nano LEDS”.
Eu expliquei o conceito de como é possível criar uma lâmpada que tem 92% mais de eficiência do que uma lâmpada comum, com 57% mais de brilho do que um LED comum e que tem 400% mais definição para cores, o que as tornam mais reais.
A principal descoberta nessa minha pesquisa foi que um LED normal emite apenas de 2 a 4% da luz que ele gera. Minha apresentação, portanto, foi no conceito de Plasmonic Cavity with Subwave-length hole-away – PlaCSH. Um material nanotecnológico que vem ai pra derrubar o mercado de lâmpadas atuais.

Sensacional ouvir isso daí. Agora uma questão, o que falta para trazer esse conceito, o PlaCSH, para uma escala comercial?
A pesquisa sobre NanoLEDs ou Diodos emissores de luz de tamanho nanometrico é algo ainda revolucionário para o mercado. Apesar de existirem pesquisas bem avançadas sobre o assunto, ainda se tem muito para descobrir a respeito dessa tecnologia.

Mudando o assunto um pouco, você estagiou no MIT. Como você conseguiu o estágio?
Essa, sem dúvida, foi a conquista mais marcante de toda minha vida. Durante meu intercâmbio nos Estados Unidos, eu descobri que existia uma possibilidade de, além de estudar, ter também uma experiência profissional. Foi nessa época que mandei meu currículo para as empresas e universidades americanas. Foram mais de mil e-mails só para as top 5 universidades americanas. Escrevi minha cover letter falando sobre os desafios e conquistas profissionais e pessoais pelos quais passei.

E qual você acha que foi o seu diferencial para conseguir essa oportunidade?

Eu comecei a trabalhar muito jovem para ajudar minha família, nunca tive condições financeiras para uma boa escola. Com 18 anos entrei na faculdade e logo tive contato com a equipe B’Energy que tinha acabado de se formar. Hoje sou vice-capitão e o capitão é o Kaique Andrade. Neste projeto, com um time de estudantes nós construímos o primeiro carro elétrico de fórmula de Sorocaba, o segundo construído no Brasil. Como disse, até então minha vida tinha sido bastante sofrida, mas hoje eu enxergo que toda a minha experiência (oito anos trabalhando com mecânica e elétrica), bem como o fato de eu ser o vice-líder de um protótipo de carro elétrico, me deram destaque frente aos americanos.

O que você fazia no estágio?
Alguns meses atrás, nós colocamos um de nossos mais novos barcos autônomos para teste no principal rio de Boston. Ele tem um sistema chamado Machine Learning, do qual eu participei da montagem e de alguns testes. Ele é basicamente um pequeno barco (boat), que se controla autonomamente. Foi projetado para ir para o meio do oceano e captar dados como temperatura, pressão, profundidade, espécies de peixes, fazer filmagens, mudanças meteorológicas e etc. Ou seja, como não é possível colocar uma pessoa em cada ponto do oceano para se fazer a verificação dessas variáveis, estes robôs irão ser produzidos em larga escala para realizar essa tarefa. Esses AUV (Autonomous Underwater Vehicle), terão aplicações ilimitadas. Além do sensoriamento, eles poderiam servir para proteção militar, como guardas costeiros. Poderiam fazer previsão de terremotos, tsunamis e etc. Uma coisa é fato, o protótipo já funciona. Agora é questão de tempo para ele ser aprimorado.

Em qual área você trabalhava no projeto?
Apesar de trabalhar em vários projetos ao mesmo tempo, o meu projeto principal é o Wireless Power Transfer (transferência de energia sem fio). Vou tentar exemplificar algumas utilizações. Se você tem um celular, através de sinais wireless será possível carregá-lo sem qualquer utilização de tomadas ou cabos. Para a nova geração de carros, os carros elétricos, você poderia apenas estacionar na sua garagem, desligar o carro que o próprio dispositivo iria carregá-lo enquanto você descansa à noite. Na manha seguinte, o carro estaria pronto para outro dia de serviço. No caso do nosso laboratório, uma das utilizações no projeto será para carregar a bateria dos barcos e submarinos autônomos no meio do oceano, de forma que não precisem voltar para a costa toda vez que a bateria estiver acabando. Em outras palavras, essa tecnologia é uma completa revolução no modo como a energia elétrica será transferida e utilizada.

E como era a sua equipe? Como é o ritmo de trabalho deles?
Nós tínhamos reunião semanais com os diretores do departamento. Os doutores com quem trabalho são extraordinários. Aprender com eles é algo fora do comum. Além do conhecimento de engenharia que eles possuem, as experiências de vida que eles tem me passado são fantásticas. Eu tenho tido a honra de aprender com os melhores engenheiros do mundo. Há alguns domingos eles me chamaram pra fazer hora-extra, das 9h até às 18h. Não tive como negar. Durante o summer, eu ficava no laboratório diariamente das 8h da manhã até o anoitecer. A oportunidade de aprender com essas pessoas já é mais do que o suficiente pra mim. Eles veem o mundo por um angulo completamente diferente. São viciados em conhecimento, fissurados por novas descobertas e gastam suas vidas para trazer novas tecnologias para o mundo.

Você comentou que está lançando um livro. Qual será o assunto do livro e como podemos ficar por dentro das novidades?
Sim, o livro se chama Inspirando Jovens de Sucesso. Depois que eu consegui conquistar essa vaga de trabalho no MIT, eu percebi que muitas pessoas começaram a me pedir informações sobre como eu tinha aprendido inglês, como eu fiz para descobrir uma nova tecnologia, que habilidades eu precisava ter para o trabalho, etc.
Foi daí que surgiu a ideia de escrever um livro para compartilhar as lições que eu aprendi em minha vida. Eu quero mostrar com este livro que qualquer pessoa pode descobrir e realizar os seus sonhos, independente dos recursos que possuem. Quero mostrar que com muito esforço e percorrerendo o caminho certo, é possível alcançar seus objetivos.
Imagine se, cada vez mais, os jovens brasileiros começassem a conseguir bons empregos, entrar em universidades renomadas, descobrir novas tecnologias, abrir seus próprios negócios ou simplismente realizarem o seu maior sonho. Nosso país teria uma completa mudança fincanceira, educacional e cultural. Foi pensando nisso que escrevi o livro Inspirando Jovens de Sucesso, para ensinar, inspirar e dar aos leitores as ferramentas para que possam realizar seus sonhos.

Quem quiser ter acesso a vídeos, treinamentos e textos gratuitos que eu publico pode se cadastrar no www.matheustomoto.com. Envio semanalmente conteúdos exclusivos para eles. Vocês também podem acompanhar meu Facebook no www.facebook.com/InspirandoJovensdeSucesso e meu twitter @MatheusTomoto.

Tem alguma dica para dar aos CsFers?
Sim, na verdade 2:
1 – Qualquer pessoa, mesmo a mais simples de todas, pode trazer alguma descoberta ou tecnologia para o mundo. É preciso apenas dedicação e muita força de vontade.
2- Não existem sonhos impossíveis. A minha história é prova de que independente do lugar em que você nasceu e da condição financeira que você teve, se você se dedicar a algo com todas as suas forças, você conseguirá alcança-lo.

Sobre: Peirol Gomes

Aluno do último ano do curso de Engenharia de Gestão da UFABC. Fui estudante do Ciência sem Fronteiras na University of Alabama in Huntsville e também na Stanford University. Ao voltar do programa decidi criar uma forma de auxiliar os estudantes dele e criei o My CSF. Hoje, vejo o Ciência sem Fronteiras como uma das principais formas de transformação da sociedade brasileira. Apaixonado por empreendedorismo e por educação, sonho em melhorar o ensino universitário brasileiro a ponto de ver ele bem situado nos rankings internacionais.

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