Conheça Caio Guimarães, o bolsista premiado por Harvard/MIT

Hoje vamos contar a história de Caio Guimarães, um bolsista do CSF que recebeu o prêmio de melhor pesquisa do verão de 2014 no Wellman Center, um laboratório onde ocorre a parceria de Harvard/MIT. Veja quais lições você pode tirar para conseguir também o seu sonhado estágio. Nós separamos 10 ensinamentos, espero que aproveitem!
Caio Guimarães participou de pesquisa nos Estados Unidos que buscava ajuda para os militares em guerra. (Fonte: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)

Caio Guimarães participou de pesquisa nos Estados Unidos que buscava ajuda para os militares em guerra. (Fonte: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)


Para qual país você foi no Ciência sem Fronteiras?

Caio: Fui para os Estados Unidos, Nova Iorque, mas não era esse o meu plano original. Eu queria ir para um país na Europa, afinal, eu já tinha estudado um pouco de francês. Além disso, morando lá, as chances de você conhecer outros países durante a bolsa é bem maior.
Porém, conversei com alguns professores, fiz algumas pesquisas na internet, concluí que para a Europa eu poderia ir em outra oportunidade, e me inscrevi para os EUA.

Em qual universidade você estudou?

Caio: Estudei na Hofstra University, na região metropolitana de Nova Iorque. Porém, antes mesmo de chegar aos EUA e começar o programa, eu já tinha algo muito forte em mente, fazer pesquisa ou em Harvard, ou MIT, ou na Nasa. O plano B, caso eu não conseguisse fazer pesquisa em nenhum deles, era fazer estágio em uma empresa grande, como o Google, Facebook ou Apple, por exemplo.

Primeiro ensinamento: Tenha muito definido o seu objetivo! O Caio antes mesmo de sair do Brasil, já tinha colocado como meta pessoal conseguir fazer uma pesquisa ou em Harvard, ou MIT, ou Nasa.
E você, já sabe o que você quer? Não é nenhum erro não saber, mas ter um objetivo bem definido e possível de ser visualizado aumenta muito as suas chances de ser bem sucedido!

 

Então você saiu do Brasil decidido a ir atrás desse objetivo?

Caio: Sim, tanto que no common application nós, bolsistas do CsF nos Estados Unidos, podemos “sugerir” algumas universidades. Eu coloquei Harvard, Caltech e MIT, sabia que eles não aceitavam bolsistas de graduação sanduíche do programa, mas não custava tentar, não é mesmo?

E você já tinha saído do país alguma vez? Já falava inglês?

Caio: Não, nunca. Para fazer o TOEFL eu tive que estudar inglês sozinho. Tive que estudar que nem um louco. A nota mínima pedida no TOEFL era 79, eu tirei 81, quase no ponto de corte.

E como foi o seu primeiro semestre nos EUA?

Caio: Então, eu estava lá nos EUA, em Nova Iorque, cheguei lá no fall (outono) e passei o semestre como um estudante “normal”. Foi só quando chegou o final de dezembro que eu comecei a me desesperar. Todo mundo dizia que nos EUA você precisa começar a aplicar logo, que as vagas de estágio e pesquisa são preenchidas muito rápido.

Segundo ensinamento: Comece a procurar o estágio/pesquisa o mais rápido possível. As vagas se esgotam rapidamente! O que você está esperando?? Tudo bem, termine de ler esse texto, pelo menos, garantimos que ele vai te ajudar!

 

Foi aí que começou a procura incessante para conseguir a pesquisa?

Caio: Sim, eu comecei a frequentar o Career Center da minha universidade, para aprender a fazer meu currículo nos moldes americanos, saber o que eu deveria colocar no meu e-mail, como me apresentar. Uma coisa importante, o corpo do seu e-mail precisa ser bom, simples e objetivo, para que o destinatário chegue a abrir seus anexos, que são o seu currículo e a sua cover letter.

Uma coisa muito importante, você deve enviar seu currículo e uma cover letter específica para cada área que você deseja aplicar. Vale a pena saber quem é o empregador, quem é o responsável, quem vai receber aquele documento, pois daí você fala diretamente com essa pessoa. Você também precisa estudar sobre a empresa e todo aquele processo. Por vezes, enviei uma carta de recomendação dos meus professores, junto com os anexos.

Terceiro ensinamento: Use o Career Center da sua universidade, caso ela tenha um, sem moderação! Agende um horário, leve o seu currículo, adeque-o ao modelo do seu país, peça dicas sobre como escrever uma cover letter. Nas universidades, esse serviço é gratuito, vai te custar apenas alguns minutos e aumentará muito a sua chance de conseguir uma boa oportunidade!

 

Quarto ensinamento: Cada vaga requer um currículo e uma cover letter adequados para ela. Aprenda isso! Seja específico! Não deixe que a sua preguiça faça com que você perca o estágio/pesquisa que sempre quis.

 

Quinto ensinamento: Procure saber quem é a pessoa que vai ler o seu e-mail. Comunique-se com ela de forma adequada. Saber quem é o seu leitor e qual área da empresa que ela trabalha, permite que você coloque as suas qualidades que mais podem agregar à empresa naquele departamento.

 

Você tem ideia de quantos e-mails você chegou a enviar até conseguir uma resposta positiva de um deles?

Caio: Ah, eu enviei mais de 2.000 e-mails. Eu escrevi tanto e-mail que eu cheguei a quebrar o mouse do meu computador de tanto que eu usei. Eu andava com o notebook debaixo do braço. Eu ia comer, abria o notebook, editava minha cover letter e o meu currículo e enviava. Foi uma loucura. Eu usava todo o meu tempo livre para enviar e-mail para os empregadores.

Sexto ensinamento: Envie o máximo de e-mails que conseguir. Você receberá muitos “nãos”, mas a sua chance de receber um “SIM”, será muito maior. Você não precisa enviar 2.000 emails, como o Caio fez (a não ser que queira bater o recorde do bolsista que mais enviou e-mail pedindo emprego ou estágio – PS: o recordista atual é o Caio Guimarães, qualquer nova informação favor envie para contato@mycsf.com.br :P).

 

Como você sabia para quem enviar os e-mails? Como você procurava as vagas?

Caio: Eu entrei no google e procurei o e-mail de todos os professores de Harvard, todos os professores do MIT dos laboratórios e mandei e-mail para muita gente.
A maioria nem respondia, os que respondiam as vezes falavam que estavam aposentados e nem trabalhavam mais, outros respondiam que não tinham vaga, enfim, mandei e-mail para Deus e o mundo.
Até que uma amiga, que hoje é minha namorada, determinada pra caramba, conseguiu seu estágio antes mesmo de vir para o Ciência sem Fronteiras. Graças a um de seus professores da universidade brasileira, que conhece um pesquisador de Harvard e às qualidades e esforço dela, ela conseguiu uma pesquisa antes mesmo de sair do Brasil.
Foi então que essa minha amiga me mandou o nome do laboratório, Wellman Center for Photomedicine. Eu não tinha conseguido encontrar ele na internet quando pesquisava por Harvard ou MIT porque ele faz parte de um programa que une medicina de Harvard com a tecnologia do MIT. O intuito dele é descobrir novas tecnologias na área médica. Harvard entra com a área de medicina, na qual eles são muito bons e o MIT entra com tecnologia, tornando possível essa fantástica junção.
Eu não sabia desse laboratório, então, sabendo do meu grande interesse pela área de saúde, ela me sugeriu que enviasse e-mail para eles.

Sétimo ensinamento: Já pensou em todas as possibilidades de como o seu networking pode te auxiliar a conseguir uma vaga? Vale lembrar que ele pode te abrir oportunidades, mas a vaga só será sua se você for realmente qualificado para ela!
Então, algum professor da sua universidade com quem você já tenha trabalhado te indicaria para alguém? Você já estagiou no Brasil? Quem sabe a empresa que você trabalhava não pode te recomendar para uma outra ou até mesmo para o escritório internacional dela?

 

E você enviou o e-mail para o laboratório?

Caio: Sim, porém eu mandei e-mail para todo mundo e deixei esse laboratório como “cereja do bolo”. Escrevi um e-mail impecável para o Dr. Yun, que é o chefe do laboratório. Ele é professor tanto de Harvard quanto do MIT. Para escrever esse e-mail li muito sobre o laboratório, sobre o que ele já tinha feito na sua vida profissional, os prêmios que ele já tinha recebido. Basicamente, eu fiz o meu dever de casa, só que fiz bem feito.

Oitavo ensinamento: Faça o seu dever de casa!!! Leia, pesquise e aprenda ao máximo sobre o lugar que você deseja trabalhar. Só assim você saberá enviar o e-mail enfatizando suas qualidades que podem ser aproveitadas.

 

Ele te respondeu? Demorou muito pra isso?

Caio: Sim, eu mandei o e-mail e 5/10 minutos depois, ele me respondeu perguntando se os meu documentos estavam OK, afinal eles devem receber email de intercambistas do mundo todo pedindo vagas, que esperam o aceite dele para depois ir atrás dos documentos.
Na mesma hora, eu já reuni todos os documentos, aqueles PDFs que mandamos para CAPES e IIE, e disse: “Está tudo aqui. A hora que você quiser, já posso começar a trabalhar”. Porém, o Dr. Yun não tinha falado que eu estava aceito, que eu iria trabalhar lá, a única coisa que ele tinha feito, era perguntado se meus documentos estavam OK.

E qual resposta você recebeu?

Caio: Então, eu esperei. Ele tinha me respondido na mesma hora da última vez, pensei que ele faria o mesmo de novo.
Passaram-se 7 dias, nada de uma resposta. Peguei o telefone e, na cara de pau, liguei. Me apresentei, disse que na semana passada havia mandado um e-mail, e ele respondeu: “Lembro de você sim, até encaminhei seu e-mail para eles verificarem se estava tudo OK e me responderam que de fato estão certos. Que bom que você me ligou, ando muito atarefado e eu ia acabar esquecendo”.
Em seguida ele fez algumas perguntas para saber se eu sabia usar alguns softwares, eu disse que sabia usar todos, naquele momento a minha preocupação era conseguir aquela vaga, depois eu aprenderia o software que fosse necessário. No final da conversa ele me disse para mandar mais duas cartas de recomendação.

Nono ensinamento: Seja ativo! O Caio percebeu que eles tiveram o mínimo de interesse nele, afinal pediram para que ele enviasse os seus documentos. E se ele ficasse apenas esperando? Quem sabe, ele nunca teria recebido o e-mail. Porém, ele foi proativo, pegou o telefone e ligou!
Aqui, deve-se tomar muito cuidado. Não seja um chato, que liga toda hora, invade a privacidade do empregador. Ele só tomou essa atitude (acertadamente) pois eles tinham demonstrado interesse previamente.

 

Como você conseguiu as duas cartas de recomendação?

Caio: Eu desliguei o telefone e corri pro computador para pedir carta de recomendação para os meus professores do Brasil e peguei o telefone para pedir uma carta de recomendação para alguns professores da Hofstra.
Não sei se todos sabem, mas as cartas de recomendação por aqui funcionam da seguinte forma: seu professor escreve a carta, coloca o selo da universidade e a envia diretamente para o seu potencial empregador. Você não vê a “cor” dessa carta, você não sabe o que foi escrito, é uma tensão absurda. Mas tive sorte! Uma professora que tive na Hofstra, enviou a carta diretamente para ele mas me mandou uma versão. A carta estava linda, ela “rasgou uma seda” dizendo que eu era um dos melhores alunos que ela teve.

E você era realmente presente na aula dela? Ou ela não fazia ideia de quem você era?

Caio: Como eu disse, eu cheguei com um inglês muito ruim. Me matriculei em uma disciplina de composition (redação) porque eu queria aperfeiçoar meu inglês. Mas quando comecei a fazer a disciplina, ela era muito difícil, a professora era colunista do The New York Times e cobrava muito, só tirava notas ruins.
Um dia fui falar com ela, expliquei minha situação, disse que era aluno de intercâmbio, que tinha me matriculado na disciplina dela pois queria aperfeiçoar meu inglês. Tempos depois, na carta de recomendação ela disse que era um excelente aluno, empenhado, participativo, tinha boas ideias, escrevia bem. Isso foi uma professora de “redação” enviando para um laboratório que une medicina e engenharia. PS: Fiz questão de comprar um chocolate bom e dar de presente para ela

Décimo ensinamento: Participe das aulas! Frequente as office hours! Faça com que seus professores te conheçam!

 

Qual foi o próximo passo?

Caio: Fiquei esperando de novo. Já se passara uma semana e nada do Dr. Yun me responder. Eu já estava aflito, não fazia nada no meu dia, ficava atualizando meu e-mail toda hora. Depois de 10 dias, não aguentei mais esperar e liguei para ele, só que ninguém atendeu.
Resolvi então escrever um e-mail para saber se ele ia me contratar ou não. O problema era que eu não poderia parecer desesperado, mas também não poderia parecer ter um descaso pela vaga. Fiquei cerca de meia hora para escrever o e-mail perfeito.
Ao enviar o e-mail para ele, eu vi que tinha recebido um e-mail dele há 10 minutos, ou seja, enquanto eu fiquei pensando no e-mail que ia escrever pra ele, ele tinha me mandado um e-mail com a resposta.

E qual tinha sido a resposta?

Caio: Era um e-mail com a carta convite para trabalhar no laboratório dele. Fiquei feliz, gritei pra caramba. Eu ia começar no dia 27 de maio e a minha pesquisa seria sem remuneração alguma, o que não era um problema pra mim, afinal, eu tinha conseguido o meu objetivo, uma pesquisa em um laboratório de Harvard/MIT. Fiz todo o trâmite do IIE e da CAPES, arrumei housing em Boston. Estava tudo “certo”.

Enfim, essa foi a parte fácil da história – conseguir o estágio num laboratório de Harvard e do MIT. A outra etapa é você chegar lá e de fato trabalhar no laboratório.


E ai, o que achou da história do Caio? Deu pra tirar algumas boas lições? Em breve ele vai contar como realmente foi estagiar num laboratório Harvard e MIT.

Sobre: Peirol Gomes

Aluno do último ano do curso de Engenharia de Gestão da UFABC. Fui estudante do Ciência sem Fronteiras na University of Alabama in Huntsville e também na Stanford University. Ao voltar do programa decidi criar uma forma de auxiliar os estudantes dele e criei o My CSF. Hoje, vejo o Ciência sem Fronteiras como uma das principais formas de transformação da sociedade brasileira. Apaixonado por empreendedorismo e por educação, sonho em melhorar o ensino universitário brasileiro a ponto de ver ele bem situado nos rankings internacionais.

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